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Home»Entretenimento»Marina Sena evolui como cantora e letrista, mas tem relação confusa com influências no 3º disco
Entretenimento

Marina Sena evolui como cantora e letrista, mas tem relação confusa com influências no 3º disco

abril 4, 2025Nenhum comentário0 Visitas

Com músicas que contam histórias e profundidade rara no pop, ‘Coisas naturais’ se perde entre tentativas de fazer som universal e repetir MPB dos anos 70; leia análise. Marina Sena divulga seu novo disco, ‘Coisas naturais’
Gabriela Schmidt/Divulgação
Marina Sena chegou ao terceiro disco mostrando que evoluiu como cantora e letrista. Ela apresenta algumas das músicas mais elaboradas da carreira no álbum “Coisas naturais”, que, no entanto, é prejudicado por uma relação confusa com suas próprias influências.
A essa altura, a mineira de Taiobeiras é um dos nomes mais importantes da música pop no Brasil. Lançado na segunda-feira (31), o novo disco estreou cercado por expectativa e debates sobre a relação entre as músicas e a vida pessoal da cantora — hoje uma celebridade, amiga de Anitta e namorada do influenciador Juliano Floss.
É um quadro bem diferente de quando Marina surgiu como artista solo, com o álbum de “De primeira”, de 2021. O sucesso estrondoso do hit viral “Por Supuesto” pegou público e crítica de surpresa, e apresentou a artista como um ponto fora da curva na música comercial do país, com seu som popular, mas também conceitual, e uma identidade vocal inconfundível.
Marina Sena em sua primeira participação em um grande festival, no Lollapalooza 2022
Fábio Tito/g1
Pois bem: no “Coisas naturais”, Marina resgata elementos desse tempo, ao voltar a fazer música de forma mais orgânica e a explorar influências da MPB. Isso, depois de um segundo disco mais pop, pop mesmo, na essência, no discurso e nas melodias: o “Vício inerente”, de 2023.
O novo trabalho, feito em parceria com músicos da Outra Banda da Lua (com a qual Marina iniciou a carreira em Minas Gerais), mostra a cantora passeando por novas e criativas texturas vocais.
Em “Desmitificar”, ela vai do agudo ao grave, com sua voz se fundindo aos instrumentos altíssimos, na viagem mais experimental do disco. Para os fofoqueiros, um outro ponto importante é que, na internet, a música vem sendo interpretada como uma indireta à ex-namorada de seu atual, mérito de uma narrativa bem construída na letra.
Acima de tudo, o “Coisas naturais” tem Marina Sena em boa fase como letrista, criando músicas que contam histórias com início, meio e fim.
Na letra mais bonita, de “Ouro de tolo”, ela narra a crise que leva ao fim de um relacionamento — e, passado um tempo, o revisionismo que traz a indagação: por que não terminou antes? É o tipo de reflexão com certa profundidade, que se tornou rara na música pop do Brasil.
Capa do álbum ‘Coisas naturais’, de Marina Sena
Divulgação
Por outro lado, o álbum tem momentos nada naturais, em que se entrega demais às referências. Balada de violão transformada em pop rock à medida em que avança para o refrão, “Anjo” é tão carregada do jeito de cantar de Gal Costa e de elementos da MPB produzida no Brasil entre os anos 1960 e 70 que acaba soando como uma tentativa de repetir o passado.
Outras músicas sofrem do problema oposto: a influência se perde no desejo de deixar o som mais universal.
“Lua cheia” ensaia uma batida de arrocha, mas decepciona ao não assumir de forma tão clara essa alusão. Muito provavelmente, algum artista do gênero irá lançar uma versão melhor, com um belo solo de saxofone.
É possível encontrar um meio termo aí: entre as referências, o potencial comercial e a espontaneidade, que Marina sempre teve. E ela consegue chegar lá nos momentos mais legais do “Coisas naturais”: “Combo da sorte” é a que melhor representa esse equilíbrio, com uma batida autêntica de reggae bem trabalhada, num som com brasilidade e leveza.
Nessa música, Marina diz que está em seu melhor momento. Musicalmente falando, talvez não seja ainda, mas ela está chegando lá.

Fonte: G1 Entretenimento

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