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Home»Tocantins»Quem era Mairu Karajá, pesquisador indígena de MT que morreu aos 30 anos
Tocantins

Quem era Mairu Karajá, pesquisador indígena de MT que morreu aos 30 anos

junho 15, 2026Nenhum comentário0 Visitas

Mairu Hakuwi Kuady Karajá, era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã
Reprodução/Redes sociais
O pesquisador indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá, que morreu aos 30 anos nesse domingo (14), construiu uma trajetória marcada pela defesa dos povos originários e pela busca por educação. Natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, em Luciara (MT), ele se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), fez mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e chegou ao doutorado na França.
A morte foi confirmada por familiares nas redes sociais. Ao g1, uma prima informou que a causa foi um infarto, em Brasília, onde o jovem estava morando.
Mairu pertencia ao povo Iny Karajá. Nas redes sociais, compartilhava reflexões sobre a luta dos povos originários, a presença indígena nos espaços de poder e a própria trajetória acadêmica.
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Durante o ensino médio, chegou a trabalhar limpando banheiros para conseguir manter nos estudos.
Ao longo da formação, Mairu passou a defender a ocupação de espaços acadêmicos por indígenas e a valorização dos conhecimentos tradicionais dentro das universidades. O pesquisador participava de debates sobre direitos indígenas, produção de conhecimento e representatividade.
Nas redes sociais, também mostrava momentos da vida fora da universidade. Publicava registros de viagens por países como Portugal, Grécia e França, além de compartilhar experiências ligadas à cultura, identidade e ancestralidade indígena.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas lamentou a morte e destacou a contribuição do pesquisador para a defesa dos povos originários.
“Ocupando espaços acadêmicos e institucionais, Mairu demonstrou que o fortalecimento das identidades, das línguas e dos conhecimentos ancestrais pode caminhar lado a lado com a presença indígena nesses ambientes”, afirmou a pasta.
A morte de Mairu provocou manifestações de pesar entre lideranças indígenas, pesquisadores e colegas. Nas homenagens publicadas nas redes sociais, ele foi lembrado como uma referência para jovens indígenas que buscavam ingressar e permanecer na universidade.
Legado intelectual
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Mairu atuou como pesquisador, membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB), coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da língua e da cultura do povo Iny Karajá (assista o vídeo acima).
Em entrevista ao g1, em 2024, ele contou que se orgulhava de preservar os saberes dos povos originários no meio acadêmico.
“Me ver nesse lugar é algo muito especial para mim e inspirador para o meu povo”, comentou.
Mairu era convidado com frequência para compor mesas e dar palestras sobre a cultura dos povos indígenas e as organizações sociais. Ele relatou que limpava banheiros para pagar os estudos após ganhar uma bolsa parcial em uma escola particular de Goiás, ainda no segundo ano do ensino médio. “Limpava banheiros de segunda a sexta-feira, além de domingos e feriados”, disse.
Sua atuação contribuiu para ampliar a visibilidade das pautas indígenas e fortalecer o protagonismo dos povos originários na produção de conhecimento e na defesa de seus direitos.
“Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos”, declarou Mairu.
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