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Home»Entretenimento»Mônica Salmaso, senhora cantora, interpreta Elizeth Cardoso com o rigor e a classe de… Elizeth Cardoso
Entretenimento

Mônica Salmaso, senhora cantora, interpreta Elizeth Cardoso com o rigor e a classe de… Elizeth Cardoso

agosto 14, 2026Nenhum comentário0 Visitas


Mônica Salmaso lança o álbum ‘Senhora das canções – Um tributo a Elizeth’ nesta sexta-feira, 14 de agosto, com 16 música do show homônimo
Divulgação
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Admiro cantores que se aventuram por repertórios já consagrados por outros cantores, sobretudo quando o intérprete original das canções é alguém do calibre de Elizeth Cardoso (16 de julho de 1920 – 7 de maio de 1990), uma das maiores cantoras da música brasileira em todos os tempos.
Tem que ter coragem porque Elizeth foi referência de afinação, emissão vocal, classe e rigor estilístico na canção brasileira. Acontece que quem canta o repertório dessa imortal cantora carioca em “Senhora das canções – Um tributo a Elizeth” – álbum disponível nos aplicativos de áudio a partir de hoje, 14 de agosto, e já com edição prevista em CD pela gravadora Biscoito Fino – é outra senhora cantora, Mônica Salmaso, dona da mesma classe e do mesmo rigor da Divina, epíteto pelo qual Elizeth Cardoso era conhecida.
Em cena desde 1989 e atualmente com 55 anos, essa sabiá paulistana já é, também ela, uma das maiores cantoras do Brasil em todos os tempos. Uma cantora do quilate de uma Nana Caymmi (1941 – 2025), por exemplo, e cabe lembrar que Nana adorava o canto de Salmaso.
Tivesse surgido nos anos 1960 ou 1970, décadas do apogeu da música rotulada como MPB, Salmaso teria sido elevada ao mesmo patamar das grandes cantoras da época no que diz respeito ao reconhecimento popular e ao prestígio. Ainda assim, analisando a carreira da artista em perspectiva, acho que Mônica Salmaso chegou bem longe para uma cantora que lançou o primeiro álbum em 1995, época em que a MPB já tinha sido posta para escanteio no mercado.
É que Salmaso é uma das mais completas traduções do que se entende em 2026 por uma cantora de MPB. Inexistem flertes com o universo pop na discografia da cantora.
Salmaso é das tradições. Das melhores tradições da música brasileira. Uma cantora que dá voz a Guinga com maestria, que divide o palco com Chico Buarque sem ficar à sombra do cantor – proeza que somente Maria Bethânia tinha conseguido em 1975 – e que parece cantar com facilidade até as músicas mais difíceis do repertório de Elizeth, caso de “Carta de poeta” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970), uma das 16 músicas do álbum gravado em estúdio por Salmaso com os músicos Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn), Luciana Rabello (cavaquinho), Magno Júlio (percussão), Marcus Thadeu (percussão), Mauricio Carrilho (violão de sete cordas), Paulo Aragão (violão) e Teco Cardoso (flauta e saxofone).
Não farei a crítica do álbum porque ele é (fiel) registro de estúdio do show “Senhora das canções – Uma homenagem a Elizeth Cardoso” (2020), já resenhado na coluna quando ele foi (re)apresentado em maio de 2025 no projeto “Terças no Ipanema”, no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ).
Ainda assim, fiz questão de escrever este texto em primeira pessoa sobre a cantora para marcar a edição do disco porque o lançamento de um álbum de Mônica Salmaso é sempre um acontecimento na música brasileira – ao menos no universo paralelo em que Elizeth Cardoso é reverenciada e no qual uma cantora como Salmaso é aplaudida com a mesma intensidade.
E acho que cabe aqui uma saudação à gravadora Biscoito Fino, casa fonográfica da MPB. Não sei se Mônica Salmaso teria conseguido construir discografia tão farta fora dessa companhia na qual debutou há 22 anos com a edição de “Iaiá” (2004), álbum definidor na trajetória da cantora que ampliou as conquistas do antecessor “Voadeira” (1999).
O álbum “Senhora das canções – Um tributo a Elizeth” simboliza mais um voo seguro de Mônica Salmaso pela alma lírica da canção brasileira sem prazo de validade.
Capa do álbum ‘Senhora das canções – Um tributo a Elizeth’, de Mônica Salmaso
Arte gráfica de Ruth Freihof

Fonte: G1 Entretenimento

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