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Home»Entretenimento»Chevy Chase é o comediante mais ‘babaca’ da história? Documentário dá a entender que sim
Entretenimento

Chevy Chase é o comediante mais ‘babaca’ da história? Documentário dá a entender que sim

janeiro 6, 2026Nenhum comentário2 Visitas


”I’m Chevy Chase and You’re Not’: assista ao trailer em inglês
Chevy Chase é um dos maiores humoristas americanos de todos os tempos. E essa afirmação não tem a ver apenas com o fato de ele ter 1 metro e 93 centímetros. Desde o estouro no programa “Saturday Night Live” em 1975, ele sempre conviveu com uma palavra que servia para definir seu estilo de performance e sua maneira de lidar com as pessoas longe das câmeras: babaca.
O documentário “I’m Chevy Chase and You’re Not”, ainda sem previsão de estreia no Brasil, investiga por que o humorista de 82 anos talvez seja o comediante mais “babaca” da história. A expressão (“asswhole”, no original) é usada várias vezes no filme, inclusive por ele mesmo.
Chase virou sinônimo de comédia americana focada em tombos absurdos e mau comportamento nos anos 70. A única temporada no “SNL” rendeu um Emmy e o alçou ao status de galã desengonçado oficial dos anos 70 e 80.
Ele estrelou hits como “Clube dos Pilantras” (1980), “Três Amigos!” (1986) e a série de filmes “Férias Frustradas”, sucesso incontestável na “Sessão da Tarde”. O documentário da CNN mostra essa ascensão rápida, sempre paralela à fama de difícil nos bastidores.
Sobram exemplos de piadas absurdas (umas engraçadas, outras só controversas). A impressão é a de que ele fazia qualquer coisa por uma piada. Em uma festa, um garçom perguntou se ele e amigos queriam mousse de chocolate. Ele enfiou o dedo em um dos potinhos, levou à boca, fez uma cara feia e disse: “não, obrigado”.
Amor, ego e a saída do ‘SNL’
Chevy Chase fez parte da primeira temporada do programa ‘Saturday Night Live’, em 1975
Divulgação/NBC
No filme, Chase admite que largar o “SNL” depois de apenas um ano foi um erro. Ele diz que saiu para se mudar para Los Angeles e ficar com sua então namorada que não queria viver em Nova York. Ir para Hollywood, claro, também era uma oportunidade de trocar a televisão pelo cinema. A decisão misturou amor, ego e ambição.
Mas mesmo assim, ele parece se arrependido: Chevy era o astro do “Weekend Update”, o quadro de maior destaque do humorístico, uma paródia de programa jornalístico em que ele comentava as notícias com bom (e mau) humor. Foi nessa atração que surgiu o bordão que batiza o documentário: “Eu sou Chevy Chase e você não é”.
Por que ele é ‘babaca’?
Cena do documentário ‘I’m Chevy Chase and You’re Not’
Reprodução
O filme dirigido por Marina Zenovich (conhecida por documentários sobre Lance Armstrong, Robin Williams e Roman Polanski) trata a reputação de “babaca” de forma bem direta.
A palavra é repetida por amigos, colegas e críticos: são histórias de arrogância, de um senso de superioridade intelectual que vira munição para humilhar quem está perto, além de comentários racistas, homofóbicos e cruéis em sets de TV e de cinema.
Chase usava esse status para passar por cima de limites que colegas não estavam dispostos a aceitar. Era comum dizer para diretores, por exemplo, frases como “você quer me ensinar como ser engraçado?”.
O filme insiste que a persona de Chase (o sujeito charmoso, desastrado e esnobe, que debocha, cai e levanta como se nada tivesse acontecido) não fica restrita à tela. O mesmo impulso de humilhar alguém pela piada perfeita atravessa o modo como ele se relaciona com todos em sua volta. A diretora, claro, não escapa.
Quando a cineasta pergunta por que o Chase acha que ela não vai dar conta de explicar quem ele é, o cara é direto: “Por que você não é inteligente o suficiente”. Ele diz isso sem mudar a expressão do rosto. O sarcasmo é desconcertante.
Chase tem uma lista longa de inimizades, mas o episódio com Terry Sweeney, o primeiro integrante assumidamente gay do elenco do “Saturday Night Live”, talvez seja o ponto mais baixo. Em 1985, quando voltou ao programa como apresentador convidado, Chase sugeriu uma esquete na frente de todos: “Eu tenho uma ideia para um quadro com o Terry Sweeney. E se a gente fizesse uma cena em que pesamos você toda semana para ver se você tem Aids?”. No documentário, Chase diz que pediu desculpas. Sweeney disse que o pedido foi “patético”.
Tretas em Community até adeus
Joel McHale e Chevy Chase na série ‘Community’
Divulgação
As tretas do comediante nos bastidores de “Community”, série que foi o último trabalho de mais sucesso dele, ganham destaque na parte final do documentário. O diretor Jay Chandrasekhar é a única pessoa do seriado que fala no documentário, mais uma prova de que Chevy Chase é um assunto tabu para o resto da equipe.
O diretor e o comediante relembram os atritos constantes com o criador Dan Harmon, as reclamações de Chase e sua visão de que o personagem Pierce Hawthorne era “velho e racista demais”. A relação entre o astro e o resto do elenco já era ruim, até que um episódio tornou tudo insustentável.
Em uma conversa nos bastidores ele usou uma palavra racista para comentar sobre o quanto seu personagem era preconceituoso. Ao se ver confrontado sobre o porquê de estar falando aquela palavra (“n-word”, no original), saiu quebrando tudo e fechou um acordo para sair da série.
O que ele faz hoje?
O documentário revisita os anos de vício em cocaína e álcool. Chase lembra das maratonas de uso nos bastidores da fama, das internações em clínicas de reabilitação e dos períodos de depressão que o tiraram do eixo. Quando a diretora faz perguntas mais sérias sobre esses problemas e sobre a infância cheia de agressões por parte da mãe, Chevy respondia com piadas.
Perto do fim do documentário, a cineasta questiona quando ele decidiu se afastar da mãe. No meio da pergunta, ele dá um tapa no próprio rosto, leva a mão à boca e finge que está comendo uma mosca.
O corte para o presente mostra um veterano sóbrio, morando com a família, com a saúde mais frágil e trabalhando muito menos. Hoje, ele se dedica a eventos para fãs, tentando mostrar um lado mais simpático. Mas nem tanto.

Fonte: G1 Entretenimento

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